
Você já deve ter entrado em algum elevador e ter visto essa frase escrita: " Antes entrar no elevador verifique se 'o mesmo' encontra-se parado neste andar". Mas afinal quem é o mesmo? Brincadeiras a parte, o mesmo sempre traz um certo receio, as vezes algum trauma e porque não um pouco de medo.
Você namorou durante cinco anos, foi um tempo bom, mas depois de muitas brigas, idas e vindas, vocês terminaram. Passou um tempo, cada um seguiu sua vida, mas ninguém ainda ocupou aquele posto de namorado que frequenta a sua casa. Você fica sabendo que ele se soltou, fez festa, mas continua sozinho. Certo dia vocês acabam se encontrando e bate aquela vontade de voltar, voltar para o mesmo. O mesmo que você prometeu jamais ligar, sair, beijar, mas que vontade é essa?
O mesmo traz também uma certa comodidade. Você sabe como é. Não vai se assustar, não vai ter grandes recaídas e decepções mas também não terá muitas expectativas de mudanças e nem muitas novidades. O mesmo é o velho com uma roupa nova, nada mais. E o medo de ter que explicar para o seu espelho e para seu travesseiro se caso você chorar novamente que isso foi mais uma tentativa, quer dizer, a última, e que você é humana e que, por alguns instantes, você acreditou que o mesmo poderia ter mudado. Engano seu, ninguém muda, quem muda somos nós e o nosso jeito de ver as coisas.
Sete anos em uma companhia e toneladas de estresse. Você pede demissão e promete mudar o rumo sua vida. Faz uma viagem, conhece pessoas e lugares novos, enriquece seu universo. Volta, procura uma recolocação e as propostas são indesejáveis. Você insiste, passa o tempo e seu sexto sentido começa a dar sinal de alerta, algo de errado está acontecendo. Recebe uma proposta da sua ex empresa para voltar, voltar para o mesmo. O mesmo endereço, os mesmos colegas, os mesmos malotes, horários e documentos. O mesmo arrepia a sua espinha, mas você aceita, pensa que é melhor encarar o mesmo do que ser esmagada pela rotina de procurar algo semelhante a sua função.
Simultaneamente, o mesmo tem caráter bipolar. Ele afasta e uni, ele amedrontada e instiga, ele faz e desfaz. Viver o mesmo é natural, ter medo dele também. A maioria das pessoas procura evoluir, mudar, crescer e o mesmo aparece como um contraponto para forçar o pensamento. Encare o mesmo de frente, se tiver coragem dê um chega prá lá, se sentir vontade abrace-o. Faça o que sua cabeça e coração mandarem. Vergonha? o mesmo não dá cadeia, sendo assim você não precisa se envergonhar.
Sabrina Mengue
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